19 de jun de 2012

Estilistas fazem manifestação no SPFW


João Pimenta, Gabriel Guimarães, Camila Yahn, Roberto Davidowicz, Fause Haten, Edu Dugois, Rodolfo Souza, Raquel Davidowicz, Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch, Thomaz Azulay, Lino Villaventura, David Pollack, Paulo Borges, Igor de Barros, Marcelo Sommer, Alberto Hiar, Roberto Ethel, Samuel Cirnansck, Graziela Peres e Augusto Mariotti


Já não é de hoje a discussão sobre a falta de incentivo à indústria da moda brasileira. A falta de mão de obra capacitada, a falta de investimento na produção local, os custos de importação que encarecem o produto final e os altíssimos impostos são alguns dos temas que estão na lista de reclamações dos profissionais do setor.

Com a chegada em peso das marcas de luxo estrangeiras ao país, o Brasil se viu em uma enrascada: o produto final brasileiro anda caríssimo e tem recebido comparações aos das grifes internacionais, muitas com mais de um século de expertise e história e com um marketing feroz. A cadeia da moda aqui no país está cansada de lutar por melhorias sem o apoio do governo — lembrando que essa indústria é uma das maiores geradoras de empregos no Brasil.

No final do desfile da Cavalera (16/06), os estilistas se reuniram para enviar uma mensagem ao governo “Presidenta Dilma, precisamos falar com você! A moda agradece”. A proposta é simples: a indústria, que é a segunda no país que mais gera emprego, quer conversar com a presidenta. A iniciativa surgiu de “muitas discussões e conversas uns com os outros e achamos que tínhamos que conversar todo mundo junto e levar um só recado”, explica Paulo Borges, CEO da Luminosidade, empresa organizadora do SPFW.

Raquel Davidowicz, Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch, Thomaz Azulay e Lino Villaventura


No próximo dia 26, Paulo Borges e estilistas vão se reunir em São Paulo para definir os pontos que irão integrar o manifesto com reivindicações do setor e que deverá ser apresentado à presidente Dilma Rousseff.

Alguns pontos que devem ser abordados:

Alexandre Herchcovitch: “Precisamos de uma política de incentivo, assim como aconteceu com a redução do IPI do automóvel. Dessa forma a roupa não ficaria tão cara quando chega ao consumidor. Falta atenção à indústria têxtil porque temos que comprar tudo de fora em vez de comprar no Brasil”.

Lino Villaventura: “Na verdade a moda brasileira está precisando de muito mais atenção por parte do governo, tanto do federal quanto dos estaduais. Nós geramos emprego, geramos uma economia forte, temos um grande potencial de exportação e precisamos do apoio do governo para isso. Precisamos de profissionais bem treinados para trabalhar nas nossas fábricas. Precisamos de cursos para isso, para as costureiras, porque sem costureira não existe roupa, não existe nada. O governo vai ter que tomar providências imediatas. Temos que falar com a presidente Dilma para que ela possa tomar alguma atitude em relação à moda brasileira”.


Marcelo Sommer: “O governo pode ajudar com incentivos e apoios. Assim como é feito com a arte e com a cultura, deve ser feito com a moda também”.

Paulo Borges: “Primeiro ouvir de todos as necessidades de inovação e transformação no mercado. Qualificação de mão de obra, investimento para que a gente possa ter matérias-primas mais competitivas, analisar as políticas de entrada de matérias-primas criativas para a moda, são várias coisas. Tem também todas as questões de tributos, de logística da moda no Brasil e de como você pode criar um plano de investimento para as empresas que produzem moda criativa. Como é que elas podem ser vistas no governo para que possam ter uma facilitação de investimentos, até para poder competir com o mercado global, que cada vez mais está dentro do Brasil”.

Eduardo Dugois, diretor de marketing da marca Gloria Coelho: “A indústria automotiva emprega menos do que a moda e recebe muito mais benefícios. Importar tecidos complica também a produção das roupas, porque sofremos atrasos na entrega. E claro, uma redução de impostos. A cada R$ 100 que você paga em uma roupa, R$ 54 é só de imposto”.

Fonte: ffw.com.br



Chamar atenção do governo, para melhor qualificação do mercado em nosso país é ótimo para dar um grande passo na industria da moda, um produto final ao consumidor com qualidade trará retorno e o reconhecimento merecido.


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